ALDEIA • cultura feita com diversidade

 In para aprender, para trabalhar, post

O espaço multicultural Aldeia – localizado em uma casa com paredes pintadas de verde perto da Redenção – reúne iniciativas com um olhar voltado à diversidade e à produção colaborativa. Conversamos com Nanni Rios, uma de sua fundadoras.

Zero planejamento, muita vontade de fazer

Tudo começou da vontade de amigos trabalharem juntos: primeiro a dupla Nanni Rios (jornalista especialista em Economia da Cultura e Literatura Brasileira) e Pam Magpali (designer de calçados que trabalha com produção artesanal). A elas, juntaram-se a cabeleireira Laurie Martignago e o publicitário Artur Kerschner, cujo trabalho tem foco em animação digital. “Saímos para a rua sem planejamento, sem plano de negócios. Não aconselho, mas, ao mesmo tempo, aconselho. Se tivéssemos planejado, talvez faltasse a coragem de fazer”, conta Nanni.

A formação inicial se manteve por um ano e foi agregando novos projetos, como o do artista gráfico Vital Lordelo, que transformou uma das salas da casa em ateliê. A proposta se remodelou de maneira orgânica. E logo a casa – que tem um pátio interno com árvores e plantinhas – fez da Aldeia um lugar para produzir coisas novas e receber ideias. O conceito é fluido, mas resistente: está na cena cultural independente há quase quatro anos e hoje abriga a Livraria Baleia, uma sala multiuso e inúmeras atividades.  

Algumas premissas básicas

Já no início, a Aldeia se mostrou um espaço aberto a questões feministas – promovendo desde cursos sobre mulheres na literatura até aulas de defesa pessoal. Em algum momento, tornou-se lugar de acolhimento, recebendo vítimas de violência. A própria Livraria Baleia dedica-se especialmente à literatura de autoria feminina e às temáticas de gênero, sexualidade e direitos humanos.

O gosto pelo diverso também se aplica às aulas: flamenco e castanholas (ensinados por Ana Medeiros) convivem com stiletto dance (dança com salto alto coordenada pela drag Bibi Ribeiro), contemporâneo e integral bambu (atividade que trabalha equilíbrio, movimentos acrobáticos e respiração). No endereço, ainda acontecem cursos literários, aulas de botânica, ensaios de teatro e exibições de filmes.

 

 

Domingos de portas abertas

As atividades de domingo, especialmente os brechós, costumam chamar a atenção da vizinhança e do público que frequenta o Brique da Redenção: “Rola comida, rola bebida. Tem música, o pessoal arma as araras, a gente põe um placa, abre a porta… Estar do lado do parque é um privilégio enorme! Acho incrível olhar para o final da rua e ver um monte de verde”, conta a jornalista.

Nanni obviamente sabe que a realidade é desafiadora. Também que as dificuldades envolvem questões financeiras e a falta de um olhar do poder público em relação à cultura como fonte econômica para a cidade. Mas as vontades são enormes: quer abrigar, no Aldeia, atividades voltadas para a formação de mulheres, com encontros de trocas e uma formação paralela de professores.“Projetamos muitas coisas e acho que é só por isso que seguimos: porque sonhamos. Não tenho tantos planos a longo prazo porque gosto de pensar a partir da impermanência. Isso é bastante libertador.”

 

// Para aprender por um viés feminino: a Livraria Baleia mantém uma agenda repleta de atividades voltadas para a literatura – oficinas, encontros e saraus ocupam a casa com gente que gosta de ler e escrever. O próximo encontro do #leiamaismulheres acontece no dia 24 de fevereiro e discutirá o livro Fome, de Roxane Gay.

// Em busca de lugar para trabalhar? A Aldeia tem atualmente uma salinha para aluguel – está à espera de uma iniciativa alinhada ao que a casa defende e acredita: diversidade sexual e de gênero, feminismo, direitos humanos, economia criativa, sustentabilidade, literatura, artes visuais, cinema, música, teatro, dança e entretenimento cultural.

 

Aldeia (Rua Santana, 252, bairro Farroupilha)
FB: /aldeia252
IG: @aldeia252
E-mail: aldeia252@gmail.com

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