BORDADO EMPODERADO • tecendo histórias

 In para aprender, post

Bordado vai passando de geração em geração, como se fosse uma herança, quase sempre conectado ao feminino. Foi assim que esse fazer chegou às mãos de Bruna Antunes, que aprendeu a bordar com a avó, aos 8 anos de idade. O significado que deu ao artesanato, porém, foi diferente: resistência. À frente do curso Bordado Empoderado, ela conversou conosco sobre feminismo e outros pontos. 

Jornalista e fotógrafa de gastronomia, voltou às linhas a pedido de uma amiga. Marcaram um café e, ali mesmo, ela a ensinou a bordar em ponto cruz; depois em formato livre. Da amiga vieram referências de bordados com mensagens feministas que a fizerem perceber nas linhas e agulhas uma ferramenta de empoderamento. Logo vieram as primeiras alunas. O movimento não podia mais ser interrompido.

Assim começou o Bordado Empoderado, projeto que levou Bruna Antunes a ser escolhida, pela ONG feminista Think Olga, uma das “Mulheres Inspiradoras de 2016” na categoria “Ativismo e Cidadania”. Com cursos a preços acessíveis, ela e suas alunas ocupam vários pontos de Porto Alegre para trabalhar sobre tecidos e ir muito além da técnica.

Rede de mulheres: apoio na expressão artística, nas dores 

Bordar em grupo é uma forma de estabelecer vínculos: “Posso chamar outras pessoas para complementar o que eu faço. Não tenho habilidades de desenho, mas as parcerias resolvem isso.” A rede de apoio fez com que o Bordado Empoderado passasse a agregar cursos de bordado com estêncil, tipografia, bordado em miniatura e outros formatos especiais.

É das relações estabelecidas entre as participantes, no entanto, que surgem as situações mais marcantes. Nas conversas, costumam aparecer relatos sobre abusos, preconceitos, violência. “Uma amiga me mostrou um dos capítulos de Mulheres que Correm com os Lobos (escrito por Clarissa Pinkola Estés), Marcas de Combate: a participação no clã das cicatrizes. Ela queria bordar um colete jeans com todos os xingamentos a que ela tinha sido submetida ao longo da vida, para que fosse seu manto”. A cada ponto dado, uma cura.

Um sonho: interiorizar

Bruna quer chegar às cidades pequenas e, assim, ampliar o combate ao machismo também fora dos centros urbanos. “Bordadeiras que tratam do feminismo existem nas grandes cidades, mas elas fazem muita falta no interior”. Quanto menor a localidade, diz ela, mais difícil encher turmas. Além dos custos, ela acredita em uma dificuldade de romper preconceitos e barreiras culturais. Longe está, porém, de desistir. Ela já consegue ministrar, em paralelo aos cursos pagos, uma série de atividades voltadas a mulheres em situação de vulnerabilidade em Porto Alegre.

// Fique de olho: o material já vem incluso na matrícula. Isso ajuda quem nunca teve contato com o trabalho manual e morre de medo de comprar tudo errado.

// Para pegar em linhas e agulhas: Acompanhe a agenda das aulas na página @bordadoempoderado, no Facebook. O curso é itinerante e as aulas acontecem em diversos endereços da capital.

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