Coletivo 828 • moda local, slow e consciente

 In para curtir, para trabalhar, post

Na Semana Fashion Revolution, evento mundial que repensa a cadeia produtiva da moda, conversamos com a Tatiana Stein. Sócia da loja colaborativa Coletivo 828, em Porto Alegre, a designer ainda capitaneia a marca Brisa Slow Fashion – e responde com orgulho a pergunta “Quem faz suas roupas?”.

A mudança do fast para o slow fashion

Quanto mais a gente se posiciona, mais o mundo muda. A conclusão da designer de moda Tatiana Stein vem amparada por uma mudança pessoal que a levou a uma uma mudança na forma de trabalhar com moda. Formada em design na Feevale, ao longo de sua trajetória profissional passou por grandes redes de fast-fashion no Rio Grande do Sul, além de uma fábrica que produzia para essas lojas. Uma temporada sabática em um sítio focado em permacultura, no entanto, a fez rever o próprio estilo de vida e repensar toda a cadeia produtiva do setor com o qual estava tão envolvida.

“No sítio eu assumi alguns trabalhos rotineiros. Um deles era revirar a composteira e peneirar o composto para espalhar nas hortas. Entre os materiais orgânicos havia uma lã sintética que nunca se decompunha. Foi aí que me dei conta da responsabilidade que é consumir poliéster e do tempo que esse material fica no mundo”, disse Tati em entrevista ao blog Vida de Amora.

Três pilares: conectar, respeitar e empoderar

Dos questionamentos em relação à matéria-prima e ao processo de feitura das roupas veio a certeza de que era hora de um desvio de rota. Junto a outras mulheres empreendedoras e engajadas, Tati abriu o Coletivo 828, espaço de grifes autorais e sustentáveis no bairro Floresta: “Montar uma loja coletiva onde não só se dividem as questões financeiras, mas os conhecimentos, é muito incrível”, diz Tati. O Coletivo tem um plano de negócio em que cada marca trabalha suas potencialidades, como sócias ou convidadas. Todas as envolvidas acreditam na sustentabilidade ambiental, social e econômica por meio de uma gestão horizontal.

Inaugurado em outubro de 2016, o espaço foi aos poucos definindo seus pilares. Conectar, respeitar e empoderar são verbos que hoje dão sustentação e sentido às práticas do Coletivo 828: “Conectamos o pequeno produtor ao cliente, respeitamos o tempo das coisas. Empoderar vem de uma questão feminina. Aqui praticamente todas as marcas são tocadas por mulheres e para mulheres”, conta. A concretização do coletivo também foi pontapé para o projeto autoral de Tati, a Brisa Slow Fashion. Com essa etiqueta, ela produz peças minimalistas usando matéria-prima orgânica 100% nacional, tingida natural e manualmente. A designer faz questão de informar tudo sobre o processo produtivo de clara para os consumidores.

Um projeto mutante na cena criativa de POA

O objetivo do Coletivo 828 é consolidar-se como um espaço que acompanha a cena criativa de Porto Alegre e promove a visibilidade de marcas que fazem diferença na cadeia de produção. Por lá, as histórias das marcas são sempre valorizadas – e as integrantes têm muito orgulho em contá-las. Como não poderia deixar de ser, assim acontece com a Brisa, pensada para se adaptar às necessidades de cada pessoa e para ser capaz de criar vínculos. “O cliente, além de ser quem valida o nosso produto, é um ser humano que precisa de carinho. Quer ser ouvido, atendido. Se uma cliente da Brisa compra pela internet, mando uma mensagem dizendo que o produto pode ser tingido novamente, basta me devolver. É um acolhimento”. E é também uma história que conecta pessoas e marcas com muito significado.  

Ao fechar o raciocínio sobre moda sustentável, Tati diz: “O fast fashion não vai acabar. Ainda mais no Brasil, com toda essa discrepância de classes sociais. Existe um consumidor que precisa da peça de R$ 29,90 porque é o que pode pagar. Se o produto é muito caro e as pessoas não entendem o valor de um material como o algodão orgânico, não consomem – e aí o produto deixa de ser sustentável do ponto de vista financeiro”. Mas ela é otimista em relação à cena da sustentabilidade em Porto Alegre e o potencial desse movimento: “Há marcas surgindo, gente empreendendo e, com isso, percebendo novas formas de trabalho e nichos para os seus produtos.” E dá uma dica para quem quer começar um percurso como o dela: “descobre o que tu ama, abraça a causa e faz!”.

// Fashion Revolution é um movimento criado depois do desabamento do edifício Rana Plaza, em Bangladesh, no dia 24 de abril de 2013. Sede de cinco fábricas têxteis que produziam para grandes redes de fast fashion (em condições análogas à escravidão), deixou 1.133 mortos e 2.500 feridos e virou símbolo das injustiças do mercado da moda. A campanha surgiu com o objetivo de aumentar a conscientização sobre o verdadeiro custo das roupas e seu impacto em todas as fases do processo de produção e consumo. Mais em: fashionrevolution.org

// Quem faz suas roupas? Para conhecer as integrantes Coletivo 828, aí vai a lista de marca sócias [Brisa, SALL, Shieldmaiden, Squame] e de marcas convidadas [Bianca Leal Acessórios, Edore Studio, Apus, Viva OFF, 3JNS, Envido, Wild Alquimias, Liv Brasil Beachwear, Comphy Wear, De Alma Lavada, Fernanda Sica Comfort Clothing e Zeen]. No site do coletivo estão as infos completas. 

// Para seguir o papo com Tati Stein: a designer participa do evento “Moda e Empreendedorismo”, que integra a programação da Semana Fashion Revolution na capital gaúcha. O título do bate-papo com Miriam Pocebon (Justa Trama) e Maiara Bonfanti (Apoena Bolsas) é “Da fibra à roupa: a importância dos participantes da cadeira da moda”. Acontece dia 27/4, das 10h30min às 12h, no auditório do SENAC (Rua Cel. Genuíno, 130, Centro Histórico).   

 

Coletivo 828

Rua Visconde do Rio Branco, 828

Site: www.coletivo828.com.br

FB: @coletivo828

IG: @coletivo828

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