DADA • programação para descomplicar a arte

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Com mania de olhar muito para fora; de olhar pouco para dentro. Assim o gestor cultural Fábio Vieira de Oliveira percebia a relação dos gaúchos com a arte – o que também parecia acontecer em outras áreas, como a moda. Na tentativa de reverter esse processo, usou a própria experiência de artista para pensar em um modelo de feira acessível, que conectasse as pessoas com a produção local. Assim nasceu, em maio de 2017, a Dada – Affordable Art Fair.

Antes de partir para a ação, Fábio precisou ir em busca do tal “olhar para dentro”. Depois de muitos anos trabalhando com marketing e pesquisa em agências de publicidade, inscreveu-se em um curso chamado “Desenho tosco, olhar afiado”, no Barraco Cultural, em Porto Alegre. Por meio de desenhos, fotos e colagem manual e digital, estreitou a relação com a arte. Passou a colaborar com o Instagrafite (maior galeria digital de arte urbana do mundo). Foi no momento de entrar no mercado, porém, que sentiu as primeiras dificuldades. “Vi que o sistema de arte em Porto Alegre é uma bolha difícil de ser estourada. Sem formação no Instituto de Artes da UFRGS, sem contato com os curadores, sem relacionamento com os galeristas, as chances de se inserir são pequenas. É um circuito ensimesmado, que se retroalimenta. A Feira Dada surgiu para apresentar o trabalho de pessoas que estão produzindo de forma autoral, mas sentem esse desencaixe”, explica Fábio.

Quadros & Performances & Músicas A feira é comandada por ele e Laura Klein. Na primeira edição, com 8 artistas, ocupou a Transa, empresa de design e conteúdo. A segunda foi no bar Agulha, com 11 artistas expositores. “Ampliamos as plataformas e técnicas: tivemos performance, escultura, objetos. A ideia é diversificar as atividades e, sempre que possível, sair da parede. O maior volume ainda é de quadros, mas sabemos que viabilizar instalações e vídeos dá visibilidade a uma parte importante da cena”. A seleção dos artistas é feita por duas vias, sempre com o objetivo de apresentar novos nomes: 1) chamadas abertas, em que cada pessoa mostra sua produção; 2) convites diretos, feitos por ele e Laura. Gente que nunca expôs antes é estimulada a participar, em um processo que tenta não se apoiar em critérios engessados, como o currículo. Importa mais a identificação com o projeto da Dada – cujo nome, inspirado no Dadaísmo (movimento artístico de vanguarda do início do século XX, do qual fazia parte Marcel Duchamp), remete à provocação.   “Além dos expositores, sempre colocamos alguma atração musical. Temos uma parceria com os DJs da Neue, um selo daqui. Buscamos parceiros de comida e bebida, envolvendo os estabelecimentos de bairro. E a gente tem uma atividade infantil com psicóloga – para despertar o olhar das crianças, a coordenação motora, a relação delas com as cores. Essa programação é pensada para que as pessoas vejam os trabalhos, sentem, tomem um drink, brinquem com os filhos, curtam um show. Percebam a arte como uma possibilidade de entretenimento”, conta.

A obra de arte feita por quem mora ao lado Ao facilitar a conexão entre os moradores de Porto Alegre e a produção artística daqui, Fábio pretende mudar os olhares para a própria cidade. “Poder comprar um trabalho incrível, feito por um cara que mora no bairro ao lado ainda tem o papel de quebrar um sistema injusto que beneficia quem comercializa em detrimento de quem produz”. Aqui, ele se refere às altas marcações de preço impostas por galerias no momento de vender as obras. Na Feira Dada, a margem de comissionamento é baixa – 18%, em comparação a 50% de outros espaços. “Minha expectativa para o futuro é ganhar confiança dos artistas. Também que eles e a comunidade vejam a importância desses eventos como catalisadores de uma cena criativa. Que a feira se expanda – porque ela é um modelo que pode se relacionar com outras cidades do Estado, ainda mais carentes. No fim das contas, a arte tem um poder social de reflexão e de mudança de consciência que é algo importantíssimo nos tempos que estamos vivendo”.    Fique de olho: a próxima edição da Dada acontece nos dias 15 e 17 de dezembro de 2017, sexta e domingo, na Trace Arquitetura (Rua Santana 490). A escolha dos dias intercalados aconteceu em função do futebol. Diante da possibilidade de participação gremista na final do Mundial de Clubes, optou-se por deixar o sábado livre para a comemoração. Confirme presença no evento.   Dada – Affordable Art Fair  _Face: /feiradada _Insta: @feiradada

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