JUSTO • gastronomia para subverter o centro histórico

 In para curtir, para trabalhar, post

Pão fresco. Gentileza. Comida de boa qualidade a preço baixo. Esses são alguns dos ingredientes do Justo, recém-inaugurado misto de restaurante, padaria, coworking e acima de tudo  um ponto de resistência em Porto Alegre. Em busca da melhor forma de ocupar o Viaduto da Borges, o grupo de 6 sócios planeja trocas constantes com a rua. Conversamos com Adelino Bilhalva, um dos fundadores.

Para se chegar ao Justo, deve-se caminhar pelas escadarias do Viaduto da Borges (cujo nome oficial é Otávio Rocha), em pleno centro histórico, mais especificamente no Passeio Verão. Já na entrada, um living com vista para a cozinha, ideal para workshops. Ao fundo, um lounge com mesas para refeições e uma sala de estar para curtir café sem pressa. No segundo andar, um salão multiuso com mesas compartilhadas e infraestrutura para receber profissionais que precisem de uma estação de trabalho.

A descrição do espaço é apenas uma pista do que pode ser encontrado na iniciativa. Primordial mesmo é saber que tudo começou com uma pergunta: o que fazer para “mudar o filme” do Viaduto da Borges? Entre os motores desse questionamento, a vontade de iniciar um diálogo com a cidade, para além da instalação de um empreendimento gastronômico. “Escolhemos estar em um lugar complicado porque somos apaixonados, sabemos do potencial que ele tem e o quanto podemos trabalhar pela região”, explica Adelino Bilhalva, publicitário, designer e diretor.

O contato com o público tem ajudado o grupo a definir do que se trata, afinal, o múltiplo negócio: “Já funcionou 3 noites direto como pizzaria, porque temos um padeiro que faz uma massa muito boa. Tem gente que chama de café, tem quem chame de restaurante ou de pub. Pensei que poderia chamar de fastiaria, uma palavra que não existe no dicionário, mas que está ligada a estar saciado, fasto (os outros sócios não gostaram, risos). No fundo, queremos que as pessoas se divirtam e se sintam bem aqui”.

Seis sócios e planos com muito fermento

Para resumir o currículo do grupo, as palavras de Adelino: “Eu tenho um canal no Youtube (o Guia de Sobrevivência Gastronômica) e participei de um programa na Record (o Batalha de Cozinheiros); tem o Ricardo Yudi, professor de gastronomia na UFCSPA – um cara que formou vários cozinheiros da cidade; tem o Alex Correa, que tem uma confeitaria rústica, simples e extremamente saborosa. Tem o Tom Mendonça, cervejeiro formado em gastronomia; o Felipe Wurlitzer, que se especializou em padaria (o pão dele dá outra vida ao que se come); e tem o Marcelo Lima responsável por receber as pessoas”.

O funcionamento é baseado no autoatendimento. Algo que, apesar de incomum, tem dado certo: “O pessoal entende a vibe, leva o seu lixinho e as louças de volta. É uma pegada diferente, em que os seis sócios produzem. Sempre tem um de nós pelo salão vendo se está tudo bem”. Ainda é um momento de testes no Justo, em que tudo pode mudar inclusive o horário. Agora abre das 15 às 21 h;  e na sexta-feira até às 22h.

Um nome que condiciona boas práticas
“Pensamos no nome que as pessoas dariam ao lugar. Tem o Mr Chao, que vende massinha. Ninguém chama de Mr Chao, dizem que vão no ‘massinha’. Todo mundo tem um restaurante perto de casa, com comida legal e simples – então chama de ‘honesto’. Gostaríamos que as pessoas saíssem daqui dizendo que foram no ‘justo’.  E tem funcionado. Quando eu peço feedback, as pessoas falam: ‘boa comida a um preço justo’. Elas se dão conta e já riem: ‘caí na armadilha dos caras!’”, diverte-se Adelino.

Outra decisão é se afastar ao máximo da separação entre alta e baixa gastronomia. A ideia é que, com bons ingredientes e preparo correto, a comida seja, sim, deliciosa. “Para fechar essa matemática, pensamos em um modelo de negócios em que o restaurante funciona como uma mídia. Fomos atrás de marcas, como a PanFácil, que fornece toda a farinha de que precisamos (entre 700kg e 1 tonelada por mês) em troca de ter a marca exposta. Isso reduz o custo do produto para o cliente”, pondera.

“Tudo que vamos criando, vamos contando. Em janeiro, quando o pessoal da Minha Porto Alegre (rede de mobilização da capital) chegar para ocupar uma sala no Justo, queremos chamar os comerciantes e representantes de associação de moradores para uma reunião. Juntá-los na escadaria e ouvir as ideias deles. Não podemos ficar bolando soluções para a região enquanto não falarmos com os outros. A ideia é criar diálogo e, a partir disso, pensar em como melhorar”.

 

// Fique de olho: nas opções de espaços para trabalhar. No mezanino, no lounge e nas mesas da rua, a internet é livre (e tem refil de café por R$5). Quem quiser realizar reuniões também pode aproveitar o quadro branco à vontade.


// Não deixe de experimentar: um dos deliciosos sanduíches da casa (em opções para carnívoros e vegetarianos), acompanhado de chopp. Depois do happy hour – independentemente da hora que ele acabar -, leve pão para casa. Nos sábados, é comum os frequentadores comprarem o café da manhã depois de beber, para não precisar ir atrás de comida no domingo.

 

_Facebook: /justo741

_Instagram: @justo741

Recommended Posts

Leave a Comment