RE-CICLO • uma coleta de resíduos orgânicos que devolve adubo

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Porto Alegre gera 1.500 toneladas de resíduos sólidos por dia. De todo esse volume, metade é material orgânico (que acaba descartado em um aterro sanitário a 130 km da capital). Foi diante desse quadro – e, mais ainda, da possibilidade de criar uma mudança positiva –, que Natália Pietzsch, Thiago Rocha e Filipe Soares criaram a Re-ciclo. Por meio da coleta do lixo orgânico, dão a ele um novo destino: virar adubo, rico em nutrientes.

O ponto de partida é uma assinatura do serviço mensal. Depois, a coleta acontece de bicicleta, na casa dos clientes ou empresas. Na fase da compostagem, os resíduos orgânicos viram um composto rico em nutrientes, que pode ser usado em hortas e jardins – e é entregue aos assinantes. Natália conta que foi a solução local para um problema gigantesco: “Hoje, as pessoas colocam a sacolinha de lixo na calçada, o caminhão passa e leva”.

A missão da Re-ciclo é mudar a forma como se enxerga o lixo e oferecer soluções, que vão da educação ambiental à ação de fato. “Trata-se de uma questão tanto objetiva quanto subjetiva. Porque envolve uma série de informações que não chega à população, assim como a falta de um sentimento de co-responsabilização. Precisamos compreender que fazemos parte. Na questão de resíduos, mas também na da mobilidade urbana, da poluição”.

Modelo de negócios com impacto social e a necessidade de desconstruir crenças

Natália fez mestrado em Engenharia da Produção. E uniu toda bagagem acadêmica a muita mão na massa para criar a Re-ciclo: “Quando começamos as atividades, o modelo de negócios já existia em Florianópolis e no Rio. Para tirar a ideia do papel, comecei a participar de fóruns e coworkings de sustentabilidade, criando redes. Foi nesse momento que conheci o Thiago Rocha e o Filipe Soares, que tinham uma empresa de hortas urbanas. Achei que tinha tudo a ver: horta precisa de adubo. De que adianta gerar adubo e não ter onde usar?”.

Logo no início, explica Natália, o desafio foi grande. As pessoas se surpreendiam com o valor de R$ 45 “por um quilo de adubo”. Levou um tempo até que entendessem que o adubo é um presente, um agradecimento pelo uso do serviço. O valor, na verdade, é pago pela infraestrutura, pela logística e pelo tratamento do resíduo, que envolve o trabalho de muitas pessoas. “Foi preciso fazer essa desconstrução. Na nossa cultura, existe uma noção de quem trabalha para o bem tem que trabalhar por amor – e não pode cobrar”.

A Re-ciclo é considerada um negócio de impacto social: não é uma ONG, não depende de doação, não é uma empresa tradicional cuja finalidade é o lucro. Existe um propósito social, ainda que a receita seja necessária para a sobrevivência da atividade. “Sim, somos um serviço, cobramos. Mas também queremos o bem”.

A busca por um sistema de gestão horizontal

“Tentamos implantar na Re-ciclo um sistema de gestão horizontal. Para isso, não há um modelo padrão, uma fórmula (como nos modelos atuais de empresas em que existe um diretor, os analistas… um mandando no outro). Estamos ajustando os processos e buscando um que funcione para nós. São muitas desconstruções diárias. E às vezes a energia cai, sim. Então é preciso manter o propósito, não esquecer o porquê de fazer o que fazemos e seguir. Exige disciplina e comprometimento”.

O método, até agora, tem sido andar um passo de cada vez. O que não significa que os planos não sejam grandiosos: “Para esse ano, temos metas de crescimento de coleta – coletamos 4 toneladas de resíduo ao mês; a ideia é terminar o ano coletando quase 30 toneladas. Também queremos desenvolver a educação ambiental dentro das empresas, com cursos in company e dentro das escolas, fazendo com que a horta e a composteira sejam vistas como ferramentas pedagógicas. Até 2019, queremos fazer a compostagem dentro da cidade para melhorar a questão da logística, que envolve custo e impacto”.  

// Para ter uma horta em casa: a Re-ciclo vende minhocários (a R$ 110, prontos para serem instalados em casa) e oferece cursos (no melhor espírito geração maker) de horta e composteira, além de debater temas como agricultura urbana e aproveitamento integral dos alimentos.

// Para assinar o serviço: por R$ 45 por mês, pessoas que residem em Porto Alegre dão novo destino ao lixo, recebem adubo e mais um produto sustentável de um parceiro do projeto. Nessa modalidade, é possível optar pela coleta na própria residência ou por entregar os resíduos em um ponto fixo de coleta. O cadastro é feito pelo link: http://re-ciclo.net/cadastro.

 

Re-ciclo

Fb: @reciclopoa

IG:@re.ciclo

Site: re-ciclo.net

 

Fotos: Leonardo Salvador e Jornal do Comércio

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