Studio Alma • aulas de cerâmica com foco no fazer

 In para aprender, post

Rituais cotidianos têm um significado único para a ceramista Marina Carvalho: no bairro Santa Cecília, em Porto Alegre, ela comanda o Studio Alma. O objetivo é praticar o slow design por meio de aulas com argila, além de fortalecer a cena local de manualidades.  

Para fazer cerâmica, corpo e mente trabalham juntos 

A vontade de colocar a mão na argila – e criar pratos, xícaras, bowls e outros tantos formatos – vem ganhando força por aqui. E acompanha uma onda que inclui outras cidades do mundo: tirar as ideias da internet para a vida real. Inspiradas pelo que veem no Instagram ou no Pinterest, muitas pessoas estão aprendendo técnicas que colocam o corpo e a mente a trabalharem juntos. “A cerâmica está inserida em um contexto que valoriza o lifestyle. O movimento slow repensa o que consumimos e propõe um retorno às origens”, conta Marina Carvalho, ceramista.

Se os saberes de antigamente, que ficam no inconsciente coletivo, estão pedindo passagem para recuperar espaço no cotidiano, era preciso reuni-los em um lugar que proporcionasse encontros de manualidades e trocas. E foi isso que Marina fez ao criar o Studio Alma. No galpão organizado para dar conta de todo o processo da cerâmica, ela propõe oficinas que vão além da argila: yoga, ayurveda (medicina indiana), preparo de café e bordado criam uma constelação de experiências com foco no fazer.    

A mudança do fast-fashion para o slow-design

O Studio Alma e, antes disso, a marca autoral Alma Objetos Cerâmicos, surgiu da própria história de Marina. Psicóloga por formação, trabalhou com pesquisa de tendências durante 8 anos, parte deles em uma grande corporação de moda. Cansada do ritmo, tirou férias e, nesse período, começou uma mudança. Yoga e plantas foram alguns dos passos dados por ela. E um convite então mudou de vez os rumos: envolvido com gastronomia, seu noivo queria confeccionar os próprios pratos e louças. Marcou uma aula para os dois no ateliê da ceramista Katia Schames, em Porto Alegre. Marina conectou-se tão profundamente com a técnica que sentiu o curso como um divisor de águas.  

As férias acabaram e ela começou a praticar cerâmica nas horas livres, estudando pelo YouTube. Quando estava segura do novo caminho, pediu demissão. “O próximo passo foi escrever para os 50 estúdios de cerâmica de que mais gostava. Propus trocar coisas que eu sabia fazer por aprendizado. Vieram respostas positivas de vários países, como Canadá, Alemanha, Inglaterra. Mas o primeiro contato foi com o Franca, estúdio nova-iorquino formado por duas mulheres. Ao ouvirem minha história, Sierra Yip-Bannicq e Jazmin de la Guardia sugeriram que eu dividisse meu tempo na cidade entre diferentes estúdios, para aprender outras técnicas. Fiz isso. Trabalhei de domingo a domingo, intercalando endereços”.

Outro importante estúdio onde Marina trabalhou foi o de Jono Pandolfi, que vende suas louças para restaurantes internacionais estrelados – inclusive o Eleven Maddinson Park, eleito o melhor do mundo. “Ele faz peças incríveis e abriu totalmente o negócio dele. Sentava comigo e pensava junto sobre como seria minha volta ao Brasil, quais decisões tomaria. Foi um mentor. A estrutura do Studio Alma é uma grande mistura do que vi lá: muito branco e muita madeira”, conta a ceramista e empreendedora.  

No tempo da argila, mas com ímpeto de empreender

“A minha experiência com argila foi um encontro divino. É um material que tem, entre muitas peculiaridades, a de ter um tempo só dele. Isso acaba ditando outro ritmo ao trabalho: peças levam um mês para ficarem prontas. Além disso, lidar com a argila, que é terra, tem uma energia especial, com muita troca”, conta Marina. A experiência com o material mostra na prática como é preciso respeitar as vontades da argila: nem sempre o planejado acontece, mas os “erros” criam soluções bonitas e inesperadas.   

O encanto pela feitura, associado à estética das peças (Marina tem inspiração nas linhas escandinavas, bastante limpas e naturalmente elegantes) foi virando um negócio. Primeiro criar louças para restaurantes; depois encontrar o galpão, que abriu uma nova frente de cursos de artes crafts. Ela conta: “Decidi dar um “peitaço”, porque empreender é também enfrentar riscos. E foi o que eu fiz, logo percebendo que um espaço apropriado, com amplitude, me daria chance de oferecer mais cursos, inclusive em colaboração com outras pessoas”.  

Santa Cecília, nome de bairro e de louça

O Studio Alma encontrou sua casa no bairro Santa Cecília, lugar que tem uma vocação residencial. “É antigo, querido e um pouco coração da cidade. Ainda estou explorando o que existe em volta e criando relações com os vizinhos. Muitos deles, ao passear com os cachorros, param aqui para conversar e saber o que estamos fazendo. Esse galpão já foi muitas coisas e adoro contar a história daqui”.  

Ao nomear as peças e coleções autorais, Marina sempre homenageia mulheres. O primeiro bowl que fez quando chegou ao novo endereço – e que inaugurou o trabalho no Studio Alma –, chama-se Cecília em homenagem ao bairro. “Aqui me sinto muito acolhida”, diz enquanto abre a porta para alguém. E explica: o estúdio tem peças prontas da Alma Objetos Cerâmicos e está sempre aberto para visitas. Mas é bom marcar hora antes, para que o café esteja fresco e quente, como Marina gosta de receber.  

 

// Fique de olho: na agenda do espaço, que sempre oferece diversos cursos. Além do Programa Alma, composto por aulas semanais para quem quer aprofundar os conhecimentos sobre cerâmica  (atualmente com 3 horários disponíveis: quintas, sextas e sábados), os workshops em formato curto e intensivo são frequentes. Em julho, rola a oficina de ilustração ‘Ache seu estilo”, com Bruna Mancuso, no dia 7/7; a próxima imersão de cerâmica com Marina Carvalho acontece no dia 14/07.

 

// STUDIO ALMA

Rua Doutor Alcides Cruz, 398, bairro Santa Cecília, Porto Alegre

IG: @studioalma.poa

Fone: (51) 98175-0606

Email: alma@studioalma.co

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