MPN entrevista • Julia Froeder, da Virada Sustentável de Porto Alegre

 In para aprender, para curtir, post

Às vésperas da 3ª edição da Virada Sustentável de Porto Alegre, festival gratuito e aberto que acontece entre 6 e 8 de abril de 2018 (e cujas informações completas estão ao fim do post), conversamos com Julia Caon Froeder. Relações públicas especialista em gestão empresarial, ela atua em projetos sociais – principalmente ligados à sustentabilidade e à educação inovadora – e, na Virada, cuida do impacto ambiental dos shows, do Ecoponto da Redenção e da mobilização do público com a ação #euviropoa. Entusiasmada com o projeto que trata de temas como redução das desigualdades sociais, educação de qualidade, cidades sustentáveis, consumo responsável e colaboratividade, ela salienta o tom positivo com que os temas são abordados e reflete sobre os efeitos da ação na prática. 

• Qual a importância do evento para a cidade? 

Para além dos pontos principais, que são os ecopontos – Casa de Cultura Mario Quintana, a Associação Cultural Vila Flores, o Parque da Redenção, a Unisinos – Campus Porto Alegre e o SESC Protásio Alves –, levamos as atividades para outros lugares. As próprias sedes dos artistas ou dos coletivos proponentes são bons exemplos. Assim, a fala sobre sustentabilidade se descentraliza e levamos além o clima positivo que faz parte da proposta. As conexões acabam acontecendo: muita gente se conhece (ou se reconhece de alguma forma) e dos encontros surgem várias coisas. Assim, o poder da rede das pessoas que trabalham com sustentabilidade acaba sendo fortalecido.

 

• Quais as expectativas para a Virada 2018?

A Virada 2018, comparada aos anos anteriores, segue crescendo. Há um fenômeno muito legal, que é a quantidade de coisas que fazemos em função da rede: várias pessoas propõem atividades e acabam se somando ao evento, sem necessariamente ganhar mais por isso. Esse é o poder da rede da Virada, um evento sempre maior e com mais qualidade em função dos parceiros (são mais de 400 pessoas envolvidas no processo). Nesse ano, esperamos um festival grandioso.

Para mim, como especialista em sustentabilidade, o mais interessante é poder tratar do assunto fora dos âmbitos ambientais. A Virada conseguiu colocar de uma maneira bem clara que sustentabilidade é acessibilidade, educação, igualdade de gênero – entre tantos outros temas. A grande expectativa, por isso, é falar dentro de uma abordagem maior e reforçar as ODS (17 objetivos de desenvolvimento sustentável definidas pela ONU) como matrizes para refletir e agir de maneira assertiva.

 

• De que forma é possível dar continuidade ao projeto da Virada ao longo do ano?

Absorvendo os conhecimentos e os transformando em prática, já que a Virada acaba sendo um momento muito expositivo. Ao longo do ano, esperamos que as pessoas mudem seus comportamentos em função daquilo que conheceram – entendendo que mudança de comportamento é algo que leva um tempo. Se conseguirmos facilitar a transição para uma cidade mundo mais sustentável já será uma alegria. Temos em mente também que o evento sempre acontece a partir de um edital de adesão. Quem quiser se engajar nas próximas edições, pode. Há o aspecto pessoal (para a vida, para o negócio, para a rotina), mas é importante pensar em fazer uma Virada juntos, pensando em próximas edições.

 

• Quais teus sonhos para o futuro de Porto Alegre?

Que Porto Alegre saiba reconhecer suas belezas e fortalezas. Acho que o gaúcho tem um cacoete: somos bairristas, muito “de nós mesmo”; ao mesmo tempo, prestamos muito atenção ao que vem de fora, como se as coisas internacionais fossem melhores. Isso acaba nos desconectando da cidade. Espero que Porto Alegre saiba reconhecer o que tem de bom e cuidar do que tem – percebendo o que tem de ruim, mas olhando como algo a ser melhorado, de forma coletiva e diversa.

Também queria que rompêssemos com esses “feudos” em que vivemos: classe média aqui, pessoal da zona sul ali, pessoal da zona norte lá. Todo mundo fica na própria bolha e isso acaba nos levando a olhares muito específicos e pouco diversos da realidade. Então que pessoas distintas se encontrem, conversem e possam criar junto, criar coisas genuínas, que sejam nossas no sentido de locais e sustentáveis.

Enfim, que Porto Alegre seja sustentável de verdade. É quase um devaneio falar que, segundo as ODS, em 2030 todas as metas de desenvolvimento sustentável seriam alcançadas. Acho um pouco difícil, mas se Porto Alegre conseguir se enxergar nessas matrizes e melhorar o que precisa, já terá sido incrível. Construir uma cidade sustentável a partir das pessoas é meu grande sonho.

// O Mapeando POA vai estar na Virada 2018, com uma expedição ao Jardim Botânico no sábado, 7 de abril. Informações completas no post sobre a atividade (e esperamos vocês lá, em meio ao verde!). A programação completa dos três dias está no site, com muitas opções 🌿

// Recebemos da organização da Virada um histórico o projeto. É tão inspirador que o reproduzimos abaixo:

 

“A Virada Sustentável foi criada em São Paulo e está em sua 7ª edição na capital paulista. As realizações da Virada Sustentável em todo o Brasil são regidas pelos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) definidos pela ONU. Esses objetivos representam hoje a melhor tradução do que é a sustentabilidade, trazendo esse conceito de forma clara para a sociedade e revelando sua natureza transversal nas mais diversas áreas do conhecimento humano.

Em Porto Alegre, a primeira edição da Virada ocorreu em 2016 e mobilizou mais de 50 mil pessoas, que participaram de atividades como shows, seminário, remada, skate, pedalada e oficinas. Também foram recolhidas quase três toneladas de lixo eletrônico e 315 litros de óleo de cozinha foram encaminhados para reciclagem. Assista aqui o teaser da primeira edição.

A primeira Virada Porto Alegre também realizou o Prêmio Boas Ideias de Sustentabilidade, que reconheceu importantes iniciativas inovadoras e sustentáveis desenvolvidas em Porto Alegre e cidades vizinhas (confira os vencedores clicando aqui). As iniciativas vencedoras participaram da Virada 2017 dentro do Seminário Boas Ideias de Sustentabilidade e da Feira de Empreendedorismo Inovador.

2ª edição da Virada Sustentável aconteceu entre março e abril de 2017. Com os temas Empreendedorismo e Inovação Sustentável, Educação para a Sustentabilidade e Ecogastronomia e Alimentação Saudável, o festival reuniu cerca de 200 atrações e atividades que foram realizadas simultaneamente em diferentes locais e em quatro EcoPontos – espaços de encontro e mobilização durante a Virada Sustentável de Porto Alegre: a Casa de Cultura Mario Quintana, a Associação Cultural Vila Flores, o Parque da Redenção e o SESC Campestre.

Foram mais de 400 profissionais (entre ativistas, artistas, painelistas, ecochefs e empreendedores) envolvidos diretamente nas 205 atividades (177 atividades na programação da Virada e 28 atividades de adesões realizadas em locais próprios), que mobilizaram um público de mais de 30.000 pessoas.

Ações colaborativas, seminários, mostras de filmes, esportes, oficinas, shows e espetáculos teatrais, artes visuais, feiras de inovação e Virada Ecogastronômica, estiveram entre as atrações, todas gratuitas e abertas ao público. Acesse aqui o teaser da segunda edição.”

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